.: RPG e Educação:.

F u n d a m e n t a ç ã o

Nas duas formas básicas de aplicar o RPG (tradicional e Live Action), podemos atingir objetivos educacionais presentes nos PCNs de maneira lúdica, ou seja, através de um jogo, o que, por si só, já traz uma motivação maior dos alunos com o processo de ensino e aprendizagem.
Alguns desses objetivos são:

- Resolução de situações-problema: ocorre o tempo todo, pois durante todo o jogo os personagens dos alunos se defrontam com situações que precisam resolver para continuar vivendo, e os alunos, continuar jogando. Realizado de maneira lúdica, essa competência é a base do RPG. Portanto, durante o jogo, essa competência é exercitada durante praticamente todo o tempo.

- Aplicação de conceitos em situações práticas do dia-a-dia: as aventuras são preparadas de modo a desenvolver algum componente curricular ou tema transversal. De qualquer modo, essa aventura é uma simulação de situação real, onde os conteúdos são apresentados da mesma maneira que são aplicados na prática. Sendo assim, os conceitos adquiridos antes ou durante o jogo são usados em situações práticas simuladas no RPG.

- Interdisciplinaridade: as aventuras são interdisciplinares por excelência, pois, como são uma simulação da vida e a vida é interdisciplinar, a aventura também o é. O jogo, então, estimula essa relação de conteúdos normalmente separados artificialmente.

- Expressão oral (principalmente no jogo tradicional): o jogo de RPG tradicional se baseia na descrição oral das ações dos personagens. Daí se tem que a expressão oral é fundamental para o jogo e é desenvolvida e estimulada durante todo o tempo.

- Expressão corporal (principalmente no Live Action): nas ações ao vivo, os jogadores interpretam seus personagens como numa peça de teatro, ou seja, corporalmente. Nesse caso, eles “vivem” o jogo muito mais, o que aumenta a carga lúdica da atividade e estimula a expressão corporal e as competências a ela relacionadas.

- Leitura, interpretação e produção de Texto: as aventuras desenvolvidas pela equipe Jogo de Aprender costumam conter pistas que são, na verdade, textos para ler e determinar a ação. Além disso, o estudo do ambiente em que se passa o jogo é estimulado, pois assim os personagens terão possibilidades maiores de realizarem a missão.

- Preocupação e respeito ao outro: como todos os personagens são interdependentes, os alunos se sentem “obrigados” a ajudarem os companheiros, desenvolvendo uma consciência de que o outro é importante também. Houve casos em que as ações positivas dos personagens durante o jogo causaram melhora significativa nas relações interpessoais dos jogadores.

- Cooperação vitória somente através da solução coletiva: como o RPG é um jogo onde, para se vencer é preciso que o outro jogador também vença, a consciência de esse outro tipo de vitória é mostrado aos alunos, que são estimulados a agir dessa forma. Nós, da Jogo de Aprender, costumamos dizer que sem união não há solução, e essa máxima está sempre presente nos jogos, ressaltando nos jogadores a importância da ação coletiva.

- Trabalho em grupo e aprendizagem cooperativa: como o jogo se dá em grupo e sempre há uma tarefa a ser solucionada cooperativamente, o RPG está muito próximo das dinâmicas de treinamento empresarial usadas nos dias atuais, o que o torna importante na escola, pois os alunos são inseridos nos conceitos modernos de trabalho e relações pessoais, que valorizam muito a capacidade de trabalho em grupo.

- Desenvolvimento do Conteúdo Através de um Jogo: há uma dificuldade natural em estimular os alunos a estudar e desenvolver alguma competência ou aprender algum conteúdo. Diversos autores – como Lino de Macedo – pregam que aprender através de um jogo, ou seja, de maneira lúdica, traz resultados positivos ao processo ensino-aprendizagem. O RPG é um jogo que possibilita ao professor desenvolver um conteúdo qualquer de maneira lúdica, ao mesmo tempo em que estimula várias competências e habilidades, por isso é indicado como uma estratégia educacional.