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Jogo de Aprender :.
Em
1993, fui apresentado a um “jogo” revolucionário,
onde a imaginação era o requisito primordial e, para
vencer esse jogo, era necessário que todos os participantes
também vencessem. A idéia básica do Role-Playing
Game (RPG) abalou as estruturas e os conceitos que eu tinha a respeito
dos jogos como um todo, pois todos os que eu conhecia previa a vitória
de alguém somente mediante a derrota de outra pessoa.
Ao mesmo tempo, cursava a faculdade de Licenciatura em Educação
Física da USP, que me dava uma formação teórica
fortíssima em educação, com as teorias de Piaget,
Vigotsky, Lino de Macedo, Paulo Freire, e outros. Em 1995, já
lecionando e coordenando equipes de recreação em hotéis
e acampamentos, tomei contato com outra coisa que abalou minhas
estruturas, inclusive as teóricas, a respeito da Educação
Física – e até da Educação em
geral: os Jogos Cooperativos. Esse novo paradigma – muito
usado em consultorias de treinamento e desenvolvimento para empresas
– propõe que se desenvolva nos alunos, através
de jogos, a consciência da cooperação. A essência
dos Jogos Cooperativos é a busca da vitória coletiva,
ou seja, o vencedor, para vencer o jogo, tem de ajudar o outro a
vencer também. Isso contrasta com o princípio do esporte,
que diz que o vencedor, para vencer o jogo, tem de derrotar o outro,
ou seja, tem de fazer tudo para o “adversário”
perder. E como eu já achava o esporte tradicional pouco educativo,
justamente pelo caráter excludente da competição,
essa teoria dos Jogos Cooperativos vinha diretamente ao encontro
do que eu pensava sobre Educação Física. Como
o RPG é essencialmente um jogo cooperativo, é razoável
dizer que o seu uso como ferramenta educacional deve ser estimulado.
Além disso, durante as várias capacitações
e cursos que participei, li muito sobre a teoria das competências
de Philippe Perrenaud. Esse autor descreve as competências
e habilidades necessárias para um cidadão do século
XXI, e dentre elas estão a resolução de situações-problema,
a interdisciplinaridade, o uso de conceitos aprendidos em atividades
cotidianas, enfim, os subsídios para o exercício da
cidadania.
Com tudo isso, percebi que os jogos podem ser uma excelente estratégia
para o Processo Ensino-Aprendizagem. Os jogos, por si só,
carregam o aspecto lúdico, gerando motivação
pela atividade. Se além desse aspecto lúdico, adicionarmos
a possibilidade de desenvolver conteúdos e conceitos e questões
atitudinais, como a cooperação, teremos um excelente
e poderoso aliado na Educação.
Então, com a colaboração de uma fantástica
equipe multidisciplinar, elaborei e executei diversos jogos educativos
com essas características e percebi que os resultados são
excelentes, e que demos um passo adiante nos Jogos em geral (pois
acrescentamos o conteúdo) e nos jogos educativos comuns (pois
acrescentamos os aspectos atitudinais decorrentes da cooperação).
Concluindo, eu acredito muito nos Jogos Educativos da Jogo de Aprender
como uma ferramenta para o professor na sua prática educacional,
pois estão de acordo com diversas teorias construtivistas
modernas, são interdisciplinares por excelência e,
principalmente, porque mostram uma forma alternativa de encarar
o mundo, que é a forma da cooperação, onde
o coletivo se sobrepõe ao individualismo e a possibilidade
da vitória somente existe se o outro também vence,
e não se ele é derrotado. E o melhor, tudo isso é
feito sem prejuízo do conteúdo programático,
como mostram diversos estudos, inclusive os meus.
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